domingo, 15 de Novembro de 2009

Carvalhal?!?!?

O Presidente do Sporting tinha avisado que o treinador ia ser uma surpresa. E é, sem sombra de dúvida, não passava pela cabeça de ninguém que fosse Carvalhal o escolhido, mas faz algum sentido ao ser publicamente uma segunda escolha, ou seja, dificilmente um treinador português com algum nome e "na moda" aceitava ser segunda escolha após um treinador com 3 semanas no activo ser a primeira escolha, pelo que a margem de manobra acredito que fosse curta para Bettencourt.

Carvalhal vive uma fase dura da sua carreira, depois do falhanço na Grécia e no Marítimo, e no Sporting encontra duas coisas:
- a possibilidade de conseguir com alguma facilidade melhorar esta temporada e dar assim, ainda que ligeiramente, um balão de oxigénio à carreira
- no caso de um falhanço absoluto, a passagem por Alvalade permite-lhe abrir portas nos mercados do médio oriente e asiático dado o "nome" do Sporting.

Ou seja, Carvalhal tem muito a ganhar com esta passagem pelo Sporting, numa altura em que estava "queimado". Já o Sporting... afinal qual é a ideia? Salvar esta temporada? Tirar a pressão desta temporada e preparar a próxima? Mas Carvalhal só tem contrato até final da época...

Devo dizer, apesar de tudo, que "engraço" com Carvalhal. Não sei bem qual a quota parte, nos seus falhanços, do azar e da azelhice. Mas dos seus tempos no Restelo não ignoro a sua constante preocupação com os erros e o assumir sempre, pelo menos publicamente, dos erros, ao contrário de outros que por lá andaram, que sempre preferiram deitar as culpas nos jogadores, na meteorologia, no azar ou no que estivesse mais à mão.

Cá fico à espera, então, que Carvalhal tenha sorte. Ou mostre saber da arte. Sinceramente, estou a torcer por ele!

Adeus azar!


A vitória de Portugal, esta noite, sobre a Bósnia, soube a pouco e ao mesmo tempo soube a muito, pois o resultado esteve longe de corresponder ao que se passou em campo.
Valeram-nos os deuses da fortuna, os mesmos que no início da fase de apuramento nos tinham abandonado. Como dizia a muitos na altura, o azar que tivemos com a Dinamarca ou Albânia havia de acabar e tinha a convicção que havíamos esgotado a nossa dose de azar nesses jogos. Confirma-se!

3 bolas nos ferros hoje, as últimas duas, no espaço de 3 segundos, surreais, disseram-me que estamos vivos e com a estrelinha dos campeões! Entrámos bem na partida, tivemos um pequeno abrandamento mas depois até ao golo fomos "esfomeados" pela vitória. Excelente toda a equipa nesse período. O problema foi que com o golo a Bósnia passou a querer jogar futebol, e a nossa equipa não mais se encontrou.
Não que a Bósnia jogásse algo por aí além, longe disso, mas porque a nossa defesa, sob pressão, continua a manifestar um problema já com alguns anos: treme por todo o lado e é só buracos! Basta apenas colocar bolas na nossa área e é um "ai Jesus"! Acresce a isso a ausência de Ronaldo (importante na circulação e manutenção de posse de bola) e uma total falta de discernimento a pautar o tempo de jogo em posse de bola, e tivemos uma noite difícil.

Quarta-Feira temos um "mata-mata" na Bósnia, num estádio que é um "campo" e com neve. Será difícil, será um jogo de luta e temos de ir para a guerra! Não é tempo de limpar armas, é tempo de naqueles 90 minutos deixar a pele em campo, porque o adversário é isso que fará!

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Sporting dá época como perdida?

Depois da saída de Paulo Bento, com um plantel mais fraco que a concorrência e sem capacidade financeira para lhes fazer frente (só Paulo Bento foi fazendo milagres lutando com o Porto nos últimos anos enquanto o Benfica andou enredado em temporadas patéticas), o Sporting admite estar interessado em contratar André Villas Boas, treinador da Académica há coisa de 3 semanas...

De André Villas Boas, tenho as melhores referências, e não tenho dúvidas que deverá ter bastante mérito. Mas a sua entrada no Sporting só fará sentido se a estrutura leonina admitir esta época como perdida, libertar a equipa de pressão (e aí com naturalidade o Sporting acaba nos 4 primeiros lugares, pois tem plantel mais que suficiente para isso) e puder preparar a próxima época.
Se Villas Boas entra para resolver esta temporada, então para o ano duvido que ainda esteja em Alvalade, pois estarão a colocar um peso enorme nos ombros de um "miúdo" inexperiente e a quem serão exigidos resultados. E com a entrada de Sá Pinto para Director Desportivo não estou a ver o Sporting a atirar a toalha ao chão. Só se o Sá Pinto atrás da secretária for bem diferente do que era como jogador.
Veremos quais são as cenas dos próximos capítulos:
- se o Sporting é inteligente, contrata Villas Boas num projecto de futuro esquecendo esta temporada
- ou se o Sporting quer salvar uma temporada onde nada há para salvar (Benfica muito forte, o Porto tem uma dinâmica que faz com que mesmo jogando mal, seja candidato, e ainda há o Braga com avanço considerável).

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

A poderosa Bósnia

Faltam apenas 3 dias para a 1ª mão do play-off contra a Bósnia, que por estes dias é apontada na imprensa como uma selecção temível, cheia de executantes de 1ª linha, a que acresce a dificuldade de não termos Ronaldo disponível.

Ora, o que me faz confusão, é que desde o sorteio do grupo até à última jornada, selecções como a Suécia e a Dinamarca sempre foram encaradas como medianas e a Hungria como se de uma selecção de amadores se tratásse. O nosso grupo de qualificação (tal como o de qualificação para o Mundial 2008, com uma qualificação muito sofrida e se calhar imerecida) era difícil, Suécia e Dinamarca são selecções pouco inferiores a nós e mesmo a Hungria, especialmente no seu reduto, não é pêra fácil.

Agora, calha-nos a Bósnia, e parece que o Dzeko e o Misimovic são estrelas de primeira linha mundial, e fala-se do Muslimovic como se fosse um ponta de lança genial. Claro que a Bósnia é difícil e só um Portugal 100% concentrado pode levá-los de vencida. Mas isso é a Bósnia, como qualquer outra da grande maioria das selecções europeias! Ao longo dos anos 90, acabou o amadorismo fora do círculo de 10 ou 15 países, e portanto hoje em dia, mesmo uma selecção de fundo de catálogo, conta com um 11 de jogadores profissionais e que jogam quase todos eles espalhados pela Europa. Pode ser em clubes menores, mas em termos físicos e tácticos têm o mesmo potencial que nós. Só a nossa craveira técnica marca, de facto, um fosso.

Carlos Queiróz foi muito contestado ao longo da fase de qualificação, tendo de se haver com uma equipa sem lateral esquerdo nem ponta de lança. A verdade é que nos colocou no play-off (era o mínimo exigível e devo dizer que em altura alguma duvidei que lá chegássemos) e agora só há um resultado possível: ir ao Mundial 2010.

Com Ronaldo ou sem Ronaldo, somos muito melhores que a Bósnia. Só temos de jogar concentrados, dar tudo em todos os lances, e a África do Sul é já ali ao virar da esquina. Vamos a isso!
PS - A cara aí na fotografia é familiar a todos os adeptos do futebol não é? É só olhar e dizemos logo: epá, este é o... não faço ideia!

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Enke.

Há mais de meio ano o Futebol Relativizado ficou em stand by. Neste tempo, por várias vezes tive vontade de regressar a escrever aqui, com uma base regular, mas apesar de vários assuntos me fazerem despertar esse desejo de escrever, a notícia há pouco conhecida da morte de Robert Enke, confirmada agora on-line como suicídio, acabou por me despoletar este regresso.

O Enke surgiu no Benfica numa altura terrível para o clube, e acabava por ser uma lufada de ar fresco nos encarnados, pela sua qualidade inquestionável, aliada à sua juventude. Acrescentava a isso um ar meio "hippie" que fizeram dele um jogador por quem tinha algum carinho e cuja carreira fui sempre acompanhando.

Enquanto acompanhava a carreira, acompanhei também a tragédia pessoal porque passou há alguns anos, perdendo um filho, e mais recentemente o azar que o afastou da competição numa altura em que se afirmava definitivamente como guarda-redes de topo. A notícia da sua morte deixou-me chocado. Mais ainda ao descobrir que era suicídio, numa altura em que o seu nome era inclusivé falado para potencial titular da selecção germânica e como estando a caminho de um clube de topo europeu.

A vida é cheia de mistérios e dramas. Os de Robert Enke acabaram esta tarde, numa passagem de nível.

sexta-feira, 20 de Março de 2009

Benfica fora da Selecção

É um facto que é uma questão pontual e que pode até ser injusta, mas a verdade é que o Benfica não tem um único jogador na selecção portuguesa para o embate com a Suécia. E, pasme-se, até o Leixões lá tem Beto.

Claro que Nuno Gomes é um nome incontornável e que se calhar deveria lá estar. Claro que Rúben Amorim está na calha. E mais? Quem mais no Benfica sabe o que foi o Benfica? A sua história, a grandeza do passado e dos títulos conquistados? Sem ninguém que o saiba, sem ninguém que conheça o que é o Benfica, o Benfica não sai deste marasmo.

Tenho lido que o Benfica já procura reforços um pouco por toda a Europa. Errado. A hora é de olhar para Portugal ou para os portugueses que estão lá fora. É linear que Reyes dá mais rendimento que Eliseu? É linear que Aimar é mais influente que Duda?

Muito tem de mudar no Benfica. É preciso haver uma estratégia. Parecia haver uma estratégia para esta época: ganhar, a que custo fosse. Vieram Aimar, Reyes e Suazo. E agora fala-se em tempo??? O Benfica tem de pensar no longo prazo e tem de perceber que tem 4 jogadores na selecção sub-21, dos quais só 1 já deu provas de qualidade para jogar no Benfica. Já o Sporting, tem lá 6 jogadores, 4 dos quais estão nesse lote. Quanto ao Porto, são 8 os jogadores nos sub-21, curiosamente nenhum dos quais com experiência de Liga Sagres, mas uma mão cheia deles a serem revelações na Liga Vitalis.

O Benfica foi enorme quando era "português". Quando, concordando-se ou não com a linha de rumo baseada nas massas e defendida pelo sistema político vigente, tinha identidade e estratégia. Hoje, a identidade está perdida e o Benfica saltita de estratégia em estratégia. E perde tempo para se reerguer.

terça-feira, 17 de Março de 2009

Babem-se por ele

Tenho gostado do ponta de lança do Marítimo, Baba Diawara. Devo dizer que apesar de alguns golos, me parecia demasiado ingénuo nos seus movimentos no início da época, mesmo dando desconto à sua tenra idade. Mas nos últimos jogos tem-me vindo a impressionar. Além do "crescimento" físico, nota-se também maior maturidade e parece-me poder estar ali uma "pérola africana".

21 anos, 18 jogos, 11 golos, um golo a cada 110 minutos jogados... E o de ontem, é daqueles que levantam o estádio. Vejam só:



Segundo o Sunday Mail, o Marítimo terá rejeitado na passada semana uma proposta do Hearts no valor de 2,5 milhões de Libras, e parece que o Sporting também estará atento ao jogador. Valerá tanto? Espero até final da época para o confirmar.

terça-feira, 10 de Março de 2009

Os "grandes" da vergonha

Depois de 5-0 em Alvalade, 7-1 no Allianz Arena. O que dizer? Assim de repente, ainda há um ano, com o Bayern com equipa semelhante, o Belenenses perdeu 1-0 lá a abrir a eliminatória e perdeu 2-0 no Restelo, tendo jogado taco a taco até ao intervalo. Meses depois, o Sp. Braga empatou a 2, penso, com o Bayern no Estádio Axa.
Este é um ano horrível para os grandes. O Porto levou um banho de bola histórico em Londres, o Benfica foi enxovalhado por um banalíssimo Olimpiakos e o Sporting saltita de derrota incrível em derrota incrível.
Lembro-me do Vitória de Setúbal ter levado 7 da Roma há uns anos. Mas na 2ª mão, em casa, limpou as lágrimas vencendo por 1-0. Estes são, mesmo, os "grandes" da nossa vergonha.

domingo, 8 de Março de 2009

A tecla do golo

Gosto de Ernesto Farías. Como homem golo, acredito que mesmo raramente jogando, é o mais forte no futebol português. Não é avançado, não lhe peçam condução de bola. Peçam-lhe golos. E a verdade é que o homem é de uma eficácia tremenda. Raramente joga e quando joga, quase sempre "molha a sopa".

Ontem marcou um golo muito bonito, na sequência de um canto, como de costume prontamente menorizado pelos comentadores de serviço, alegando uma falha de marcação. Em primeiro lugar, a haver marcação individual, não foi o defesa que falhou, foi sim Farías que numa movimentação inteligente se "descolou" do defesa. Mas como duvido muito que uma equipa da Liga Sagres ainda faça marcação homem a homem, o que quando muito ali pode ter falhado foi a marcação zonal. De qualquer forma, grande movimentação do avançado, no vídeo aqui em baixo:



Para acabar, fica uma estatística gira que mostra a capacidade do argentino:
- em 2007/08 foi o 8º jogador no ranking de minutos jogados por golo, com um golo a cada 121 minutos em campo. Aliás, se excluírmos os jogadores com menos de de 5 jogos jogados, foi o 3º melhor neste capítulo, que para mim é essencial para definir um ponta de lança
- em 2008/09 está no 5º lugar no mesmo ranking. Mas se excluírmos os jogadores com menos de 5 jogos, pasme-se, está em primeiro (empatado com outro "esquecido", tal como Néné, Baba Diawara, do Marítimo), com um golo marcado a cada 102 minutos.

Se já o admirava do pouco que conhecia dele no futebol argentino, cada vez que o vejo jogar pelo FC Porto, melhoro a minha impressão. E questiono-me se, em especial em jogos em casa frente a equipas mais fechadas, ele não seria o homem ideal para jogar em cunha, ladeado por Hulk e Lisandro.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Continua a saga de Néné

Eu já sabia que ele marcava muito, e de toda a maneira e feitio. Ontem marcou de outra forma, igualmente brilhante. Cada vez mais digo: Que jogador!

segunda-feira, 2 de Março de 2009

Belissimo!

Eis um golo fantástico:



OK, bonito, mas pode ser obra do acaso ou inspiração do momento. Mas depois vemos isto:



E aí percebemos que há algo mais do que apenas sorte ou inspiração do momento. Há aqui um padrãozinho que recomenda este rapaz. E como os meus amigos dos tempos em que jogava futebol sabem, não há nada que me dê mais gozo que uma "chapelada de aba larga". Ah, que saudades...

sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Fair-Play? É uma treta!

Já dizia Jorge Jesus, e eu concordo. A história de ter um lance de ataque perigoso e atirar a bola fora porque um adversário se atira para o chão, lesionado ou não, e nós passamos a ter a bola devolvida pelo adversário no nosso guarda-redes, é uma mentira.

Curiosamente, só há um interveniente no futebol que por defeito, está do lado de quem "queima tempo": o jogador adversário. É curioso, e a resposta é simples: um jogador tem medo, acima de tudo, de lesões. E, como é óbvio, nunca podemos saber a gravidade da lesão de um adversário. E, por uma questão de respeito, a grande maioria dos jogadores atira a bola fora quando vê um adversário no chão. Haja ou não a sensação de estar a "queimar tempo".

Mas venho a este tema do Fair-Play ser uma treta, por causa do Benfica-Leixões de ontem. Isto porque, e bem, o Benfica passou os últimos minutos a "queimar tempo". Isto numa altura em que o Leixões tinha reduzido a desvantagem, o Benfica tinha menos e estava "encostado às cordas". Portanto, parece-me fazer sentido, na situação de catástrofe iminente em que o Benfica estava, que optásse por essa táctica.

O que já me causou mais estranheza foram os comentários televisivos, que normalmente, quando o clube pequeno queima tempo (mesmo que não de forma ostensiva) é atacado sem dó nem piedade, e quando um "grande" queima tempo, já é táctica e experiência. Faz-me confusão ver várias repetições em que se vê que o jogador do Leixões não toca no Katsouranis e ouvir "não podemos fazer processos de intenções aos jogadores, Katsouranis pode ter de facto alguma coisa... mas também é um jogador experiente, e sabe que esta é a altura de quebrar o ritmo ao adversário". Qual era o mal de dizer que o Benfica estava a "queimar tempo", que era feio, mas era futebol?

Por isso, nada me dá mais gozo do que ouvir Jorge Jesus dizer que o fair-play é uma treta. Porque o é, de facto. E só o é por iniciativa dos árbitros, pois já há ordens da FIFA para que os árbitros tomem a iniciatica de ser eles a interromper o jogo, o que raramente acontece em Portugal.

Resumindo, não percebi a revolta do Leixões, porque se fosse ao contrário fariam o mesmo. E não percebi o ar de virgens ofendidas do Benfica. O que fizeram é normal, mas não é bonito. E há que o admitir. Até porque ainda há bem pouco tempo me lembro de um golo do Benfica em que o Leo contorna um jogador adversário há já muito tempo caído na sua área para dar um golo aos encarnados. Portanto, na minha opinião, ninguém devia atirar bolas fora e ninguém as devia devolver. Para mim, estava resolvido. E a solução completa era o futebol ser cronometrado, 30 minutos cada parte.

quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Saudades de Cabral Ferreira


Faz hoje um ano que perdi um bom amigo e um grande exemplo de dedicação, inteligência e educação: Cabral Ferreira.

Mais do que uma figura do Belenenses, de que se viria a tornar Presidente, ao longo dos 4 anos que privámos foi para mim um amigo e um professor. Ensinou-me a viver e ensinou-me a morrer. Há palavras e olhares inolvidáveis, e Cabral Ferreira, quer com pujança em vida, quer debilitado às portas da morte, manteve sempre as palavras certas e o olhar no futuro. Porque há homens que veêm muito mais além do que todos nós. E não é a morte que os faz desaparecer.

Um abraço meu amigo. Daqueles fortes. Tenho muitas saudades suas.

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Como é possível?


Um passe a rasgar e o mundo a seus pés, já nos descontos, com o jogo empatado. Com a equipa no último lugar do campeonato. 21 anos. Um nível de exigência diferente e todo o peso de uma equipa nos ombros. O colega ao lado, os dois sozinhos, cara a cara com o guarda-redes que, desamparado, chega a tirar os olhos da bola por longos instantes.

A corrida, cada vez mais lenta, em direcção à baliza. Cada vez mais lenta, para demorar o máximo de tempo a lá chegar. O colega ao lado, com experiência, a controlar a linha da bola para não estar fora de jogo. O colega a pensar "agora é só esperar que o guarda-redes caia e ele mete-a, se ele não caír dá a bola aqui e do último lugar saltamos para o meio da tabela e as aflições ficam mais longe".

Mas Vinícius pensa na carreira promissora que estava estagnada no Brasil. Nas boas indicações em Portugal e em como este golo pode valer ouro para a sua equipa. Pensa na sua mulher, recém-casado, e no futuro que pode estar nas asas deste golo.

Por muito lento que corra, já não há mais tempo. É tempo de marcar. Ou dar a marcar. Não. É de marcar. Um tecnicista como Vinícius Pacheco é capaz de colocar uma bola "morta" como aquela ao milímetro. Por isso, nem sequer é tempo de encher o pé. É tempo de apontar ao canto da baliza e dar um toque suave na bola para a colocar naquele sítio em que, sem todo este texto para trás, até de olhos vendados Vinícius Pacheco era homem para colocar a bola. Aí vai ela para a baliza, "é agora o meu momento". Falhou!

"Como é possível?" pensa Jaime Pacheco. Pensou Jesualdo Ferreira quando Hélton deixou passar uma bola em que em 1000, defende 1000. Esta foi a 1001ª. E ninguém lhe disse que apesar de em 1000 defender 1000, na verdade em 1001 só defende as mesmas 1000. O desespero estampado no rosto de um virtuoso e de um guarda-redes.

Como se resolve isto? Com confiança. Com um balneário forte e um treinador amigo. Com um golo dedicado, com um piscar de olho, com uma brincadeira. É isto o futebol. Os golos marcados e falhados, as grandes defesas e os grandes frangos. É também nos grandes falhanços que está a grande magia do futebol.


domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Eu vi a BenficaTV


Ontem não me foi possível ver o Sporting-Benfica, porque há casas neste país onde ainda não há SportTV. Como é que alguém vive assim? Mais, como é que alguém marca um jantar em dia de Sporting-Benfica e não tem SportTV? Mulheres...


Vem isto à baila porque apesar de só ter conseguido ver uns minutos da primeira parte, chegado aos minutos finais lembrei-me de que havia BenficaTV, e portanto por ali deveria conseguir saber pelo menos o resultado.


Esta minha acção teve um resultado assustador. Primeiro, porque assim que liguei percebi que havia um "programa" que consistia numa mesa de restaurante (era mesmo um restaurante!!!) dois jornalistas a fazer o relato do jogo que viam na TV. Bom, apesar de tudo até me parece minimamente útil, apesar do "estúdio" ser surreal!


Segundos depois, começei a estarrecer. Os jornalistas imploravam, em directo, pelo final da partida, que estava em 3-1. Diziam eles que o que se estava a passar era demasiado mau para ser realidade, e devo dizer que fiquei agradado. Isto porque percebi que não se inventaram desculpas para o que, aparentemente, se passava em campo, quando até seria fácil, já que os espectadores não viam o jogo. Podia-se facilmente "pintar" um filme melhor do jogo.


De repente, veio o golo do Benfica, a euforia dos jornalistas e começou uma espiral de loucura, em que para além de se chamar recorrentemente "a menina" e "a menininha" a um dos jogadores do Sporting (não consegui perceber quem seria), culminou no apito final com a seguinte frase: "O Paulo Bento parece um atrasado mental a festejar, deve pensar que foi campeão!". Isto parece-me demasiado grave e sinceramente ultrapassa tudo de mau que imaginei que um canal de um clube pudesse ter.


Por experiência própria, porque já muito escrevi em órgãos oficiais do Belenenses, jamais me passou pela cabeça insultar ou sequer "menorizar" um adversário. O adversário, num órgão de comunicação oficial do clube, ser tratado com tanto respeito quanto aquele que gostaríamos que nos tratasse. Quem trabalha num órgão de comunicação institucional nunca pode vestir a pele de adepto. Porque ali não se representa a si próprio, mas ao seu clube. Quem sai envergonhado com isto é o Benfica, não quem profere as gravíssimas palavras.

sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Uma vez Fiúza, para sempre Fiúza

António Fiúza é um velho amigo meu. Um homem que certo dia veio passear a Lisboa e ver o "jardim jolójicos". Uma amizade que não esqueço, "dóia a quem doer"! Obrigado Fiúza por existires e, espero, por o teu MI6 ainda andar a controlar as minhas bloguices. Um grande bem-haja!

Mas Fiúza é sempre capaz de algo mais, tem sempre aquela capacidade de nos surpreender. A apresentação do novo treinador, João Eusébio, foi mais um daqueles momentos inolvidáveis que Fiúza nos proporciona quando lhe colocam um microfone à frente.

A propósito do novo treinador, disse Fiúza o seguinte:

"João Eusébio é o novo treinador do Gil Vicente, um gentleman com H grande."

quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Mágico Braga

2-0 aos 25 minutos. Até podem perder hoje. Até podem ser eliminados. Mas é de longe a melhor equipa portuguesa do momento. A que joga melhor. O que não significa ir na frente ou ser o maior.
Mas é bom ver a qualidade reconhecida. Estranho apenas que a do Braga seja tão reconhecida fora de portas e cá se vão arrastando na luta pela Europa. A loucura que seria outros estarem a vencer 2-0 aos 25 minutos o Standard Liége. Ou fazerem a espectacular exibição, em San Siro, olhos nos olhos. Haja qualidade e coragem!

Derrota de Guimarães

Parece-me este o nome mais apropriado, nesta temporada, para o clube Vimaranense, com o qual simpatizo pelo facto de conseguir, neste país, centralizar o apoio de uma cidade.

Esta temporada que tinha tudo para ser um ponto de viragem, transformou-se numa época deprimente em que a equipa se tem arrastado jogo após jogo, jogando sempre sobre brasas.
A derrota de ontem frente ao profundamente deprimido Estrela da Amadora, em casa, para os quartos-de-final da Taça de Portugal, foi o bater no fundo de uma equipa de quem se esperava muito nesta temporada.

É um facto que saíram 4 ou 5 jogadores nucleares do brilhante ano anterior. Mas também é verdade que a montra Champions e uma maior folga financeira facilmente permitiriam contratar mais-valias.

Isso não aconteceu, penso, devido a alguma inexperiência dos seus dirigentes ao mais alto nível. E um momento que podia servir de êmbolo a um novo Vitória foi desperdiçado. Para quando gestão profissional (que é diferente de profissionalizada) nos clubes portugueses?

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Hulk, Di Maria e Coentrão

Hulk: ia marcando um golo de génio, após uma jogada brilhante em que finta 3 adversários em técnica, força e velocidade e, chegado à entrada da área, acerta em cheio na barra com um potente remate. Fantástico, absolutamente fantástico esse lance. De resto, jogo em decréscimo de rendimento, a lembrar o Hulk inicial, demasiado (ou apenas) individualista.



Di Maria: golo de fantástico efeito, facilitado por um guarda-redes pouco inspirado contra os grandes. Este é daqueles golos que levantam o estádio, mas mais importante que esse golo foi, talvez, a sua melhor exibição (em termos de influência colectiva) com a camisola do Benfica. À direita e mais atrás do que habitualmente. Curiosamente e a rever. Agora os benfiquistas que decidam qual dos 2 Di Marias de ontem querem: o da "padeirada" que correu bem (o que vêem há ano e meio) ou o influente que mexeu com a partida. Vejo demasiado embandeirar em arco com a padeirada, exactamente o que me parece pior para o jogador e equipa.



Coentrão: o "puto" das Caxinas não perdoa no Dragão. Depois de 2 golos ao serviço do Nacional, mais um ontem, fantástico. Vindo da lateral para o meio, deixando por terra o possante Cissokho e com um remate colocado e indefensável. Isto é o que Coentrão pode ser.



Resumo: 3 esquerdinos, 3 lances à direita e 3 lances de belo efeito. Curiosamente, dos 3, o mais genial acabou por ser o que não deu golo. Mas isto é o nós gostamos de ver. Desde que não seja contra o nosso clube!

sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Ponta-de-Lança da moda

Néné voltou ontem a bisar, acumulando já 14 golos em apenas 17 jornadas, o que faz dele o maior goleador da Liga após Mário Jardel.

Claro que Néné, tal como a grande maioria dos brasileiros recrutados pelo Nacional, pouco tem a ver com os contentores de patrícios que todos os anos chegam a Portugal. Néné veio do Cruzeiro a troco de 500.000 USD, sendo um jogador com algum crédito no Brasil. E isto é importante quando se analisam nomes como Paulo Assunção ou Adriano, entre outros, saídos do Nacional por verbas elevadas e de categoria indesmentível.

O que mais me espanta em Néné, é a facilidade com que marca golos, de toda a maneira feitio. Há goleadores que marcam muito de cabeça, outros muito de pé direito, outros muito em bolas paradas. E, normalmente em Portugal, os goleadores têm sérias dificuldades em marcar golos.

Néné não. Ele inventa golos em lances que não são grandes oportunidades, mas onde um cabeçeamento forte e colocado faz a diferença entre uma mera jogada de ataque e um golo. Ou então aquele golo ao Sporting, dos melhores golos que recordo, quer pela espontaneidade, quer pela dificuldade técnica (a bola não ia fácil e o terreno estava pesado), quer ainda pela perfeição do movimento.



Néné está condenado a saír do Nacional. Em Janeiro ele já era goleador e andou tudo a dormir em Portugal. Hoje, o seu nome começa a ser falado ao mais alto nível na Europa e, eventualmente, os clubes portugueses ficarão para trás. Mais preocupados com os "penaltys", "frutas" e "legumes". E a Liga Portuguesa ficará mais pobre.